“Além da relação com a enxaqueca, a cafeína pode provocar outros efeitos adversos que muitas pessoas acabam atribuindo ao próprio treino. Dependendo da dose e da sensibilidade individual, é possível ocorrer palpitações, aumento da frequência cardíaca, elevação transitória da pressão arterial, ansiedade, tremores, insônia, irritabilidade, náuseas, boca seca e tontura. Em algumas pessoas, especialmente após o efeito estimulante inicial ou em situações de desidratação, também pode haver sensação de fraqueza e queda da pressão ao se levantar rapidamente, embora esse não seja um efeito direto e típico da cafeína. Por isso, é importante avaliar a quantidade consumida e considerar todas as fontes de cafeína presentes na rotina”, diz o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações.
-Estadão
Por que o café age de forma diferente em cada corpo?
Compreender como o café age no organismo exige observar fatores individuais, como a genética e a rotina diária de cada pessoa. Algumas pessoas possuem enzimas específicas no fígado que processam e eliminam a substância rapidamente, enquanto outras retêm a molécula ativa por muitas horas, sentindo os efeitos de forma prolongada no metabolismo.
Além da biologia natural de cada indivíduo, a frequência de ingestão muda completamente a resposta aos estímulos recebidos. Quem bebe várias xícaras diariamente desenvolve uma resistência gradativa, precisando de doses cada vez maiores para conseguir o mesmo estado de alerta.
Como a cafeína altera o sistema nervoso central?
A relação entre a cafeína e sistema nervoso é muito direta, pois a substância viaja pela circulação até o cérebro em poucos minutos após a ingestão. Ao chegar na região cerebral, ela modifica a forma como os neurotransmissores conversam entre si, alterando a percepção de cansaço e criando uma falsa sensação de vigor e comunicação.
Essa interferência na comunicação cerebral altera diretamente os nossos níveis de atenção e influencia as variações de humor ao longo do dia. Como o corpo não recebeu um repouso verdadeiro para recarregar as suas reservas, essa disposição se torna passageira, cobrando o seu preço assim que a substância é eliminada e devolvendo a fadiga de forma abrupta.
O bloqueio dos receptores de adenosina e o estímulo à liberação contínua de adrenalina
Para entender exatamente como o café tira o sono, é preciso conhecer a adenosina, uma molécula que sinaliza ao cérebro o momento de descansar. A substância da bebida ocupa os espaços receptores destinados a essa molécula, mascarando a vontade de dormir e impedindo que o cérebro inicie o processo de repouso.
Com os receptores bloqueados, o corpo interpreta a situação como um estado de alerta permanente, liberando grandes volumes de adrenalina. Esse hormônio mantém o coração acelerado e a mente agitada, um cenário que, quando repetido constantemente, resulta em cansaço e exaustão.
Sinais de excesso no organismo: O impacto direto na enxaqueca, insônia e tontura
Os malefícios do café em excesso surgem assim que a quantidade ingerida ultrapassa a capacidade de filtração do corpo humano. O impacto recai de forma direta sobre os vasos, provocando dilatações e contrações anormais que afetam a circulação.
Por conta dessas flutuações rápidas no fluxo de sangue cerebral, nota-se amplamente que o café causa enxaqueca quando ingerido sem moderação. A conhecida tontura depois de tomar café também deriva desse desajuste temporário na pressão e da redução da hidratação celular provocada pela bebida.
Como destacado recentemente em uma matéria do Estadão, com consultoria do farmacêutico e especialista em cosmetologia, Dr. Maurizio Pupo, o descanso profundo é rapidamente prejudicado. A insônia por excesso de cafeína afasta as fases restauradoras do nosso sono. Podem ocorrer palpitações, aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão, ansiedade, tremores, boca seca e tontura, sinais muitas vezes atribuídos ao treino físico. Portanto, avaliar a dosagem consumida e mapear todas as fontes diárias desse estimulante é indispensável para evitar a fraqueza e manter a sua saúde.
Estética e saúde bucal
Além dos reflexos percebidos no funcionamento interno, o hábito sem limites altera de maneira perceptível a estética e a estrutura dos nossos dentes. O contato repetitivo modifica o pH do ambiente bucal, criando um cenário favorável para a deterioração do esmalte.
Com a diminuição natural da salivação provocada pelo efeito diurético da bebida, a boca perde a sua principal defesa contra as bactérias. Essa ausência de lubrificação adequada facilita o acúmulo de placa e agrava a sensibilidade diária da gengiva.
Como o pH ácido e os pigmentos do café aceleram o amarelamento
A acidez presente no preparo da bebida enfraquece a camada externa e brilhante dos dentes, deixando a superfície bastante suscetível a agressões. É por meio dessa agressão diária que o café amarela os dentes, já que os pigmentos escuros do grão se alojam facilmente nessa nova porosidade.
Para evitar o desgaste contínuo, algumas práticas simples podem ser adotadas após terminar a sua xícara. O ato de beber um copo de água pura logo na sequência ajuda a remover os resíduos escuros e a neutralizar o nível de acidez da boca, mantendo a coloração clara e a proteção.
Outra recomendação importante é aguardar cerca de trinta minutos antes de realizar a higienização com a escova. Como a superfície fica temporariamente amolecida pelo contato direto com a acidez da bebida, escovar imediatamente pode causar pequenas ranhuras e agravar o desgaste da estrutura.
Qual é a quantidade ideal de consumo de café para colher benefícios sem prejudicar a saúde?
Descobrir um limite seguro de café por dia garante que você aproveite as vantagens cognitivas sem sofrer com a sobrecarga química. O objetivo é utilizar a substância como um impulso pontual para focar no trabalho ou nos estudos, preservando sempre o equilíbrio.
A margem recomendada de consumo
As orientações gerais sugerem que a ingestão não ultrapasse a média de quatro pequenas xícaras diárias, bem espaçadas ao longo da rotina. Passar dessa margem costuma gerar o temido efeito rebote do café, que é a queda brusca e repentina de disposição logo após o fim da ação da energia.
- Intercale o consumo com copos de água;
- Evite ingerir a bebida com o estômago vazio;
- Defina um horário limite para a última xícara, de preferência no início da tarde.
Seguir esses pequenos passos diários afasta o risco de dependência e garante uma distribuição correta da hidratação.
Consumo consciente para equilibrar energia e bem-estar no dia a dia
Observar os alertas que o próprio corpo emite é a melhor forma de medir a sua tolerância pessoal a substâncias estimulantes. Construir uma rotina que favoreça a energia proveniente de boas noites de sono e de uma alimentação nutritiva traz muito mais estabilidade.
Ao adotar o consumo consciente, você se despede de tremores e dores indesejadas, dando espaço para uma rotina focada na tranquilidade. Aproveite o sabor da sua bebida favorita com moderação e garanta o seu bem-estar.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto tempo a substância estimulante permanece agindo no corpo?
Em um adulto saudável, as substâncias ativas costumam permanecer circulando na corrente sanguínea e provocando forte agitação por um período de até 6 horas contínuas após o consumo. Por esse motivo, ingerir a bebida logo no final da tarde ou à noite prejudica consideravelmente a chegada do sono e compromete o seu descanso.
Substituir o preparo tradicional pela versão descafeinada ajuda a reduzir os danos?
Sim, o grão descafeinado preserva o sabor e o aroma originais, mas retira a molécula exata que causa a taquicardia e a falta de sono. Essa escolha representa uma alternativa muito segura e inteligente para quem não quer abandonar a bebida diária, permitindo o prazer do hábito enquanto afasta completamente a agitação.
O consumo regular prejudica a absorção de nutrientes importantes?
Se consumido de forma contínua durante ou logo após as principais refeições, como almoço e jantar, os componentes presentes na bebida dificultam a assimilação de minerais essenciais pelo intestino, especialmente o ferro e o cálcio. O ideal é reservar esse hábito para os intervalos livres, garantindo que o seu corpo mantenha a correta absorção.
É verdade que a bebida acelera a desidratação do organismo?
A ingestão regular apresenta um comportamento celular levemente diurético, aumentando a quantidade de vezes que o sistema renal precisa eliminar líquidos ao longo de todas as horas do dia. Para compensar essa perda hídrica e manter o funcionamento interno equilibrado, é fundamental ingerir água pura de forma contínua e paralela ao consumo da bebida.
Quem tem histórico de gastrite precisa evitar o consumo?
Sim, a acidez marcante e a temperatura quente do preparo tendem a irritar com bastante facilidade as paredes de um estômago que já se encontra sensível ou inflamado. Reduzir a dosagem diária e evitar ingerir a bebida em jejum pela manhã são atitudes essenciais para poupar o tecido e evitar crises de dor no estômago.
Referências científicas
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- Clark, I., & Landolt, H. P. (2017). Coffee, caffeine, and sleep: A systematic review of epidemiological studies and randomized controlled trials. Sleep Medicine Reviews. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26899133/
- Willson, C. (2018). The clinical toxicology of caffeine: A review and case study. Toxicology Reports. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30505695/
- Bramantoro, T., Zulfiana, A. A., Amir, M. S., Irmalia, W. R., Nor, N. A. M., Nugraha, A. P., & Krismariono, A. (2022). The contradictory effects of coffee intake on periodontal health: a systematic review of experimental and observational studies. F1000Research. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36313542/
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Texto por: Dr. Maurizio Pupo, farmacêutico pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, especialista em cosmetologia, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Ada Tina e e CEO do IPUPO Pós-Graduação. CRF-SP: 13.328.
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